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Conversas, Café & Sorrisos

Atreve-te a ser tu mesmo todos os dias!

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Conversas, Café & Sorrisos

22
Fev17

Colloquium || com M.J.


Ana Rita 🌼

A minha convidada de hoje ora semia gargalhadas ora semeia a discórdia.

Dona de um blog que já ultrapassou os 3 anos de estadia no seu bagulho vem hoje ao meu cantinho numa entrevista séria (ou não) e intimista, que coloca a nú (não, não vai haver pornografia lamento) alguns temas interessantes.

 

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Olá M.J. primeiro obrigado por me dares a oportunidade de fazer esta entrevista. Na minha opinião, penso que talvez não só na minha, deves ser talvez das bloggers que conheço que cria mais controvérsia a quem lê e te acompanha.

 

Começo por te pedir para recuarmos ao dia 18.11.2013 onde escreves as seguintes palavras:

"há qualquer coisa de incrível neste anonimato que chama a altos berros quem me leia, e sorria, sobretudo sorria. porque confesso: não consigo escrever só para mim e não consigo não escrever."

 

1-Três anos depois continua a ser esta uma das motivações que te leva a continuar por aqui ou há mais qualquer coisa que te impulsiona?

É exatamente a mesma coisa: escrever uma parte do que sou para os outros. Num desabafo, numa partilha, numa conquista de empatia. E é ainda o que me motiva a fazê-lo, mesmo que de uma forma totalmente diferente da época.

Além disso, sejamos francos, foi uma tarefa muito bem-sucedida: tenho na minha vida pessoas que nunca teria se não tivesse um blog. Adquiro conhecimento acerca de mim que não adquiriria sem o blog. Crio empatia com pessoas com as quais nunca me relacionaria se não fosse o blog.  Não creio que imaginasse, à época, que isso fosse acontecer.

 "Aprendi com os anos que não podemos amar mais os outros do que a nós"

2-Qual é a diferença entre a M.J que escreveu em jeito de apresentação: "É difícil as gentes que me conhecem conseguirem distinguir a escrita louca da louca que escreve" e a M.J. de hoje em dia?

O mais engraçado é que não é muita.

Quer dizer, é.

E isso acontece porque a minha evolução pessoal desde que escrevi isto até hoje é gritante, e logo, sendo o blog um reflexo de mim, há uma diferença entre o blog dessa altura e o blog de hoje.

No entanto, existe uma clara diferença entre a pessoa que escreve e a personagem que é escrita, mesmo a personagem refletindo quem sou. e a diferença é óbvia: a maneira como me exprimo (e que na altura disse ser “escrita louca”). Porque puder dizer o que sinto ou expor as minhas opiniões de uma forma mais bruta é um luxo que o blog me proporciona e eu pretendo manter.

Repara, eu não posso entrar escritório dentro e dizer aos gritos “quem foi o filho da puta que deixou ficar o guarda chuva molhado nas escadas? Aquela merda encharcou o chão de água e eu ia-me partindo toda agora, pá. Tenham mais cuidado com essa merda!”. Como é evidente as minhas palavras têm de ser alteradas e é suposto que refira, num tom cordial tirei o chapéu da entrada, porque estava molhado e tornava o piso escorregadio. O dono que o vá buscar ao bengaleiro, quando sair, por favor”. É normal que isto aconteça, faz parte da vivência em sociedade e eu aceito-o. Mas é esta diferença de posturas que, não fazendo de mim hipócrita, permite que haja um certo equilíbrio emocional na minha vida.

(No entanto, compreendo que seja difícil a quem ler não assumir que aquilo que lê – e interpreta - é aquilo que a pessoa é)

 

"é por isso que não tenho paciência para os “porquê eu?” da vida"

 

3-Como te caracterizas enquanto blogger?

Em constante evolução. Porque é assim que me caracterizo na vida.

Eu comecei o blog para expurgar fantasmas e ele reflete todas as fases da minha vida desde então. Desde os meus momentos mais depressivos, ao meu mau feitio, ao ser do contra e à franqueza com que lido com os meus próprios sentimentos. Depois, é claro, como todos nós, tenho um ou outro ódio de estimação e não tenho problema nenhum em escrever sobre ele. Mas mesmo esses… ódios de estimação se vão alterando com o tempo. E quando se alteram não tenho medo de admitir isso. Não tenho medo de dizer que há dois anos era uma chata de merda no que diz respeito a certos assuntos. E que aquilo que escrevi então não é o mesmo que penso hoje. E daqui a dois anos, se continuar a escrever, vou admitir o mesmo. E vou mudar de opinião e afins. Chama-se evoluir e quem o não faz das duas uma:

ou não se conhece, ou deve ser uma pessoa intratável, perdido numa dada época da sua vida.

há uma música fabulosa que me define nisso:

 

 

"A única coisa em que não tive opção foi ao nascer."

4-Consegues escolher um post teu - aquele que te deu mais gozo ou que criou mais impacto - porquê?

Não. Não mesmo. Há uns quatro ou cinco que gosto muito. Há também uns quantos que têm mais favoritos e que foram preferidos de quem lê. Mas escolher um é impossível. Sobretudo se falarmos de textos estruturados, pensados ou muito sentidos uma vez que eles refletiam aquilo que eu estava a sentir, ou a pensar naquele momento.

(No entanto, se quiseres, estes são os posts com mais favoritos: 

 

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5-Fomos seguindo ao longo de alguns meses os preparativos até ao dia do NÓ ... passados 9 meses consideras que foi um dos ou O dia mais feliz da tua vida? Voltarias a fazer tudo outra vez?

Foi um dos. Não o.

E não foi o dia mais feliz porque não consigo qualificar dessa forma estados de felicidade. Foi um dia importante, foi um dia com uma beleza especial, mas não foi o melhor dia de sempre exatamente porque sou uma inabilitada social e não gostei de ser o centro das atenções. Achava que ia gostar disso, mas não gostei. Não houve nada que corresse mal, não houve nenhum momento que não fosse bom, mas eram demasiadas pessoas, demasiada coisa a acontecer e não pude sentir, absorver e apreender cada momento como queria.

 

6-Quem fala, retrata e vive o casamento -com mais ou menos paródia - demonstra uma enorme vontade e capacidade de amar. Consideras que o amor é algo que influência muito a tua vida?

Neste momento é a minha vida. Não influência só. É.

Não consigo sequer equacionar continuar a respirar, a acordar, a levantar-me, a comer, a andar pela vida normalmente, sem quatro ou cinco pessoas que amo tanto como a mim própria (aprendi com os anos que não podemos amar mais os outros do que a nós). E aquilo que sou foi por influência delas.

 

7-Se tivesses a possibilidade de mudar algo em ti mudarias? Porquê?

Oh, tanta coisa (aliás, desconfio de quem está totalmente satisfeito consigo próprio) mas sobretudo o meu feitio. A minha maneira de ver sempre o copo meio vazio. A minha desconfiança natural pelo outro. A minha incapacidade de me sentir à vontade no meio de muita gente. A maneira como insisto em desprezar o que mal conheço… enfim, mil coisitas que, a mudarem, me transformariam por completo.

 

"Em constante evolução. Porque é assim que me caracterizo na vida."

8-Qual foi a melhor coisa que já disseram sobre ti?

Não sei. Como todas as pessoas já recebi muita pancadinha no ego, muitos elogios, muitos palavras de empatia, enfim, coisas que gostamos de ouvir/ler. No entanto, grande parte rapidamente é esquecida porque, alegrando-me naquele momento, não serve mais do que isso.

A pergunta que devia ter sido feita era “qual foi a melhor coisa que já fizeram por ti?” ;)

 

9-O que é a vida para ti?

Não sei. Tem dias.

Na maioria deles é um conjunto de pequeniníssimas banalidades que lhe são sentido.

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10-Qual a lição que tens retirado dela até hoje?

Que sou, em absoluto, responsável por tudo o que acontece nela. São sempre as minhas opções, por mais corriqueiras que sejam, que a levam num determinado sentido. A única coisa em que não tive opção foi ao nascer. A partir daí, tudo é por minha responsabilidade. (é por isso que não tenho paciência para os “porquê eu?” da vida).

 

11-Se pudesses passar uma mensagem ao Mundo, qual seria?

Uma só: Que as coisas pequenas, banais, na rotina do dia a dia, são as mais importantes.

Espera, afinal são duas: que escrever o que somos sem reserva – rindo disso - é uma ótima maneira de nos conhecermos.

Ah, e mais uma: que escrever f****** é exatamente a mesma coisa que escrever foda-se. Mesmo que não pareça.

E já que estamos nisto: que o meu blog não vale nada por ele próprio. Mas vale imenso pelas pessoas que me trouxe. E só assim, na minha opinião, faz sentido manter um.

 

 

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